Vou escrever sobre um paradoxo da vida. Quando se pensa demais e nada se faz. Quando se vê o errado e se sente impotente perante tudo e todos.
Às vezes botam em sua responsabilidade atos que não condizem com sua realidade, forçam você a pensar que premeditou ataques, desastres como se você realmente o quisesse fazê-lo. Tiram sua inocência quando lhe dizem que não és capaz de fazer algo, ou pior, dizem que não o faz por que não és digno.
Uma pessoa adulta, mesmo que não letrada, mesmo que não civilizada, entra na cabeça de um ser menor e mesmo que não tenha didática, pode prover do dom de persuadir, e estragar algo que se forma. Mas a quem irá se queixar depois esse pobre ser cuja inocência dos pensamentos lhe fora tirada de modo cruel quando ainda precisava de quem o protegesse?
Esse afetado quando cresce pode seguir por vários caminhos, ele pode ser acuado, ou ter sede de mudar o mundo, de mudar os fatos, de proteger aqueles que não sustentariam tal proteção pessoal, tal como ele quando menor não teve ajuda, não por que não quisessem, mas sim por que não sabiam que ele precisava dela.
Quando acham ridículo você reclamar que não teve afeto em tal momento de sua vida, reclamar algum sentimento de seus genitores que sim, fizeram tudo por você, mas às vezes deixaram passar o que você realmente achava importante.
A tristeza de essa criança ter convivido com esses paradoxos, nunca sabendo o que era certo ou errado poderia trazer alguma conseqüência futura? Criaria alguém com o caráter forte, com idéias de mudança e com uma falta de atitude imensa para tratar de tais ações?
Vai ser um adulto cheio de contradições, com uma vontade de mudar o que está errado, mas com a falta de comprometimento muitas vezes com a causa. Mas o que mais vai doer nesse ser humano é a incompreensão dos que o cercam e muitas vezes quem estará de fora verá seu potencial, mas quem o fez assim, irá ao maximo se perguntar: O que eu fiz para merecer algo ruim como isto”. Se jogarem nele esta responsabilidade estarão fechando com chave de ouro todo o estrago que lhe fizeram, pois como disse no começo, esse ser, que até então era menor, não fazia as coisas por mal, até tentarem faze-lo acreditar nisso.
Penso que parte desses princípios. A falta de psicologia na criação de uma criança pode trazer sérios problemas para ela, se ela tiver uma vasta gama de pessoas que lhe abram a cabeça posteriormente a toda essa conturbação, ela pode conseguir enxergar ao certo, o que acontece de errado a seu redor, e onde erraram em sua criação. Mas a herança que lhe deixam é de uma enorme indecisão e confusão perante aos fatos da vida. E agora, o que deve fazer, se queixar? “Está se fazendo de coitado”. É o que ele mais ira ouvir, para o resto de seus dias.
A solução para esse paradoxo, espero um dia poder encontrar, então farei um manual, e entregarei pessoalmente a cada um que sofre dessa eterna perseguição de algo que para todos que não a sofrem não existe, mas para quem tem, atormenta e tira todo o brilho que uma vida tem para dar.
#1 by cogitamundo on 23 novembro, 2008 - 8:48 pm
Parabéns pelas reflexões. Pela afinidade de temas, convidamos para uma visita ao http://cogitamundo.wordpress.com