Já dizia Hobbes que a sociedade só estabelece sua plenitude ao se ter um poder maior. No nosso caso esse poder é o Estado, regulando a convivência através de regras indubitáveis. Assim se concede ao ser humano a paz e a defesa. Ele afirma esta tese ao impor a famosa frase de sua criação: “O homem é o lobo do homem”, que justamente expõe essa realidade que em uma sociedade sem regras (se é que existe uma sociedade sem regras) as pessoas que nela convivem não exitariam em trapacear um aos outros, ferindo o conceito de justiça.
Mas será que o homem é mau por natureza? Na opinião de outros autores como Rousseau, o homem nasce bom, a sociedade o corrompe. Certamente o que nos difere dos animais é o poder pensar. Partimos dessa premissa para iniciar uma discussão sobre essa divergência de pensamentos.
Se o homem é um animal que pensa, podemos afirmar que ele tem razão e emoção, que ele pode ser induzido a pensar de tal forma como alguém pode querer. Exemplo, nós primamos pela estrutura básica de uma pirâmide de satisfações, começa ela com os alimentos, segurança, e assim vai. Isso ninguém precisa dizer para nós, pois são necessidades de sobrevivência, mas a partir do momento que uma classe dominante, por exemplo, começa a pregar idéias para que as pessoas ajam a seu favor, isso deixa de ser natural.
Bom, onde queremos chegar com tudo isso? Simples. Vamos ao exemplo da classe dominante, falemos de burguesia. Para a classe burguesa um ser que nasce hoje, já passa a ser visto como um pequeno cifrão a partir do primeiro suspiro, desde pequeno nossos pais, que já caíram foram adestrados ensinam coisas como “O trabalho dignifica o homem”, “Deus ajuda quem cedo madruga” entre outras frases prontas que a alta aristocracia prega para que repitamos. Isso força que o homem tenha aquele sentimento de “trabalhar para ser digno”. Acaba ele entrando nesse sistema, e quando sobe a cabeça, se tornam maus, não digo que assassinarão pessoas, mas me diga quantos por cento das pessoas medem por exemplo seu impacto no meio ambiente com seu estilo de vida capitalista? Pode-se dizer que uma pessoa é má por isso? Ele esta passando por cima de algo para seu beneficio?
Podemos dizer que o homem nasce puro? Nem bom, nem mau? Adequamos-nos ao meio em que vivemos? Você da cidade já experimentou conversar com um senhor que viveu a vida inteira no campo? Houve uma divergência de pensamentos? Como saber quem está certo?
Com essa breve análise podemos então fazer o paralelo com o tema principal, o homem é bom ou mal por natureza? Se ele crescer na selva, terá de se adaptar e comportar como bicho, por necessidade de sobrevivência, se crescer na sociedade, parecerá com seus semelhantes. E nessa mistura entram vários fatores como a educação que ele recebe, a segurança que lhe dão e a expectativa de vida que lhes proporcionam. Sujeito às variações de sua psique correlacionada com o ambiente em que vive. E muito alem de tudo isso a análise freudiana sobre a formação da sociedade é não menos importante que essa breve reflexão que tivemos. Teremos tempo para discuti-la em outras oportunidades.
Sem mais delongas concluímos então que o homem é simplesmente puro. Como uma memória vazia porem ilimitada onde está aberto aos conteúdos bons, porem também aos ruins.
Encerro esse texto com um pensamento de Francesco Carnelutti que dizia: “Um homem não é tão bom a ponto de não ter uma faísca de maldade em sua existência. E nem tão mau que não possa ter uma centelha de bondade no seu coração”.