Arquivo de outubro \26\UTC 2008
Por que o Amor?
Tudo começa quando você olha aquela pessoa e pensa, sim, eu quero fazê-la feliz. Mas onde está a complicação nisso tudo? Você quer dar todo o seu amor a ela, deixa-la feliz do jeito que ninguém conseguiu, existe coisa mais pura e linda que isso?
Pena que nem tudo são flores, como diria o poeta desconhecido. Existem vários empecilhos que o impede de fazer seu amado uma pessoa feliz, e entre eles, olhem o paradoxo, o fato da sua contraparte simplesmente não querer aceitar esse amor.
Você se pergunta: como alguém pode não querer aceitar o que de mais lindo eu tenho a oferecer? São coisas que não se explicam facilmente e remetem a uma viagem muito profunda no pensamento humano. Será a beleza externa que o faz se entregar em primeira instancia? A principio pode ser que sim, porem não perdurará muito tempo se dentro desse belo não existir o amor verdadeiro.
Já dizia Freud que o que atrai as pessoas é a possibilidade de conseguir o impossível, e quando você consegue esta façanha o que te mantém consistente são os planos futuros que você tem para com o outro.
Vamos fazer um paralelo disso com um relacionamento cujo amor é o que se tem como inatingível. Sim, você conseguiu ficar com aquela pessoa e a fase de explosão de paixão esta passando, o que irá te manter agora? São os planos futuros? E se um dos dois envolvidos no relacionamento não pensar em plano algum para o futuro, querer estar simplesmente junto de você? Quem estaria certo? O seguidor de Horácio, “Carpe Diem” “aproveitar a vida e não ficar apenas pensando no futuro“? Ou o cheio de planos ou dogmas?
Penso que no mundo não existe uma verdade absoluta, penso também que muitas vezes o amor inconscientemente é usado como um subterfúgio para algo que falta em sua vida. Algo como um antigo amor, por exemplo, em que você tenta em uma pessoa nova retratar tudo que seu amor antigo foi para você. Ou a falta de um dos pilares que constituem uma familia. Então aprofundamos um pouco mais o assunto e propomos: E se foi você, que terminou esse romance que hoje tenta revive-lo sem sucesso na imagem de outro ser? E se você sente amor por alguem que nunca lhe assumiu? Isto é capaz de te levar a loucura? Amor o leva a loucura? O amor que te leva a loucura é o mesmo amor que te faz querer o bem?
Para uma analise do que é o amor entre duas pessoas teríamos de saber quais são os valores de vida de cada parte desse relacionamento. Se o que se preza é o futuro, se é constituir uma família, se é simplesmente ter uma estabilidade ou se a liberdade plena a satisfaz. E mesmo assim não chegaríamos a tal da verdade absoluta.
Seria muita pretensão minha nesse breve texto descobrir a pergunta do titulo, por isso trabalho com muitas perguntas, para que possamos analisá-las e tentar uma explicação que condiga pelo menos a realidade em que vivemos. E como vimos ao longo do texto as variáveis são ilimitadas, tudo parte dos valores de cada pessoa. “O mistério do amor é maior que o mistério da morte.” (Oscar Wilde)
Entendemos então, que o amor é a percepção de cada de nós tem dele. Amem.
Religiões, Dogmas e seus Interesses
Começo este texto com uma breve reflexão sobre uma discussão que a pouco me ocorrera. Uma conhecida filha de um pastor se confessa totalmente dogmática e profere sua palavra a este pobre ser dizendo coisas como “Faço somente o que a bíblia manda”.
Vamos partir dessa frase?
No meu cotidiano convivo com vários tipos de pessoas, altas, baixas, gordas, magras e de varias etnias. Mas se o físico das pessoas fosse o parâmetro máximo de diferença entre um ser humano e outro com certeza não escreveria mais para vocês.
Gosto de perguntar ás pessoas com que autoridade algum ser humano pode afirmar para onde vamos, quando a nossa percepção não vai alem de nossos cinco sentidos, como uma pessoa de uma religião qualquer tem direito de atacar quem simplesmente crê no que é natural, no que podemos “perceber”?
Não seremos hipócritas de dizer que uma ou outra parte é certa nesse assunto, mas o fato é que desde os primórdios do que temos por ser humano não sabemos o que é certo e o que é errado. Não matar: e se for para sobreviver? Não pecar contra a castidade: quem falou que temos de ter só uma? Freud diz que o a lei da proibição do incesto foi a primeira e com ela pôde se ter o conceito de civilização.
Mas e a partir desse ponto, quem criou todas as outras leis que tentam ditarem como “naturais” do ser humano? Vejo que não foi um extra-humano que escreveu o “código natural da vida”, falo da bíblia, e se alguém o escreveu me desculpem, mas esse código passa a ser positivado, criado pelos homens. Então torno a perguntar: quem é o pastor, o padre, ou quem for para nos dizer como acreditar na natureza que move o universo? E olhem a audácia, prometem e garantem algo que eles não sabem sequer se existe, iludem as pessoas lhes garantindo um terreno no céu.
Por estarmos limitado aos nossos sentidos temos certeza de uma coisa durante a vida, que iremos morrer, e quase todos por natureza temos medo da morte. Essas religiões se apóiam nisso já que não podemos conviver com essa preocupação até o ultimo dia da nossa vida. A fraqueza do ser humano é teoricamente a melhor forma de se abrir a qualquer um que tente ajudar. Digamos que em vários casos a religião acaba por melhorar certos cidadãos, como ex ladrões, pessoas rejeitadas pela sociedade. Mas infelizmente hoje tudo tem seu preço, esses exemplos de cura da igreja acabam por se tornarem repetidores dessa ordem maior, que sim, fez algo de bom, mas seu objetivo é outro.
Pense. As religiões dogmáticas aceitam o ócio?
Repense. Como fazer um cidadão pobre trabalhar para a alta classe ganhando misérias a vida inteira sem lhe garantir algo depois da morte? É perfeito. Diga-lhes que seu sacrifício se tornará sua maior virtude, diga-lhe que ele vai pro céu. Todas estas idéias fazem algum sentido para você?