Ah o doce sabor da desilusão, a humanidade se move por ideologias e ilusões. De repente você acorda e vê que na verdade nada mais é do que uma falsa projeção do que você idealizou consigo mesmo.
Quando estamos apaixonados tudo parece contra e a favor ao mesmo tempo, e o curioso é que costumamos a pensar no que está contra e inconscientemente apostar no que supomos ser a doce verdade ao seu favor. Isso se chama pensar com a emoção, é o velho conflito entre a razão e a emoção.
Caberia-nos pensar que essa força da emoção, esta força da paixão seria capaz de mover a humanidade? Imagine um mundo vivido pela razão, sem os loucos que por alguma força interior desconhecida criam novos paradigmas, novos modos de pensar?
Mas não muito obstante disso temos a razão, ela que procura nas exatidões achar um modo absoluto de conduta para as coisas, para você o que vale mais, viver com a razão ou ser pura emoção? A razão parte de um paradigma de alguém que á criou com emoção, elas se completam.
Mexer com o campo da emoção sempre foi muito delicado, geralmente essas pessoas guiadas pelo amor são as que mais facilmente conseguem ser felizes, porém a extinção dos seus sonhos, as desilusões de suas crenças possam facilmente se tornar seu suicídio. Quantos filósofos morreram miseráveis? Filosofar é buscar a razão dentro da emoção.
Há muito eu exponho o equilíbrio do sistema, ele é o modo de se ter uma vida sem extremos, é uma vida sem fortes emoções, você simplesmente vive e deixa de viver. E o que você fez nessa vida? Viveu intensamente?
Por isso cito uma paixão. A desilusão com ela te faz pensar um pouco mais sobre as coisas da vida e as forças que movem o mundo, é um paralelo perfeito quando observamos que em uma paixão tentamos descobrir a razão de tudo que está contido nela. E a desilusão nos faz voltar para a caverna, como diria Platão. Mas no momento que voltamos para a caverna, mundo ideológico em que vivemos já se consegue ver as coisas diferentes.
Do mesmo modo em que você está trancafiado em uma cidade com modos de pensar diferente de outra e de repente faz uma viagem e volta com a mente expandida você mergulha em uma paixão e sai dela cada vez mais maduro. Mas é claro que com a repetição deste fenômeno a vida vai aos poucos perdendo seu brilho, sua magia, sua virgindade. Saber demais é sinônimo de ser infeliz.
Clarisse Inspector, escritora, declarou certa vez que adoraria não ter conhecido outras línguas, para que fosse mágico seu apreço pelo português, o mesmo falaria quanto a pobreza e a violência, se não conhecêssemos seriamos mais puros e inocentes. Inocência. É aí que mora a felicidade, dentro de uma mente que desconhece o que é pecado, inocência no modo de pensar, não no que dizem que significa esta palavra.
Por tanto cresça com uma desilusão, observe ela e faça um paralelo com as coisas da vida, não desista de viver, aprenda com ela a ver as coisas como elas são, tenha consciência do que é real do que é surreal e ainda mais, do que é representação, do que tentam mostrar como uma verdade á você. Saia da caverna e aprenda novas coisas, depois volte para ela, e tente fazer as pessoas aos poucos aceitar os novos paradigmas. Mas faça que elas pensem que tiveram a idéia, por que o ser humano precisa de reconhecimento, é uma questão de auto afirmação.
